06 abril 2017

13 reasons why e porque precisamos falar de suicídio

Sinopse: Uma caixa de sapatos é enviada para Clay (Dylan Minnette) por Hannah (Katheriine Langford), sua amiga e paixão platônica secreta de escola. O jovem se surpreende ao ver o remetente, pois Hannah acabara de se suicidar. Dentro da caixa, há várias fitas cassete, onde a jovem lista os 13 motivos que a levaram a interromper sua vida - além de instruções para elas serem passadas entre os demais envolvidos.

Uma série impactante. É assim que 13 reasons why poderia ser descrita. Mas, apesar de ser impactante e forte (contém cenas de estupro e claro, do suicídio) é uma série necessária que aborda várias temáticas como bullying, suicídio, a culpalização da vítima (assunto para outro post), estupro e outros temas. Eu li o livro há muitos anos, eu devia ter uns 13 anos (hoje em dia estou com 19) e na época eu sofria bullying na escola, então esse livro me ajudou muito, pois eu via alguém que me entendia.
Mas, esse livro é essencial para aquelas pessoas que tem alguém próximo que tentaram suicídio ou sofreu bullying. Ou alguém que quer entender mais esse assunto para caso lide com algo parecido. E esse livro deveria ser leitura obrigatória para todos. Suicídio é problema de saúde pública, cerca de 800 mil pessoas morrem todo ano segundo a OMS. 800 mil pessoas tiram a própria vida. 800 mil pessoas escolhem morrer, seja por bullying, por doença mental ou por qualquer outro problema.
Uma coisa que a série e o livro foca é que as palavras machucam. E muito. E muitas vezes nós não temos noção o quanto essas palavras machucam e afetam a pessoa que as ouviu. Por isso, é preciso ter cuidado. Muitas vezes somos o porquê de alguém e não sabemos. Você pode ter passado pela vida de alguém que tentou se matar por sua causa e você não sabe. Outra coisa que a série traz é que por mais que Hannah achasse que não faria diferença para ninguém, a morte dela afetou várias pessoas. E por mais que em certos momentos pensamos que se morrêssemos ninguém notaria, sempre há aquela pessoa que notaria. Todos temos o nosso Clay.

Muita gente criticou a Hannah por ter enviado as fitas, disse que ela motivou as pessoas a ficar mal e assim poderia motivar alguém a também acabar com a própria vida. Porém, eu não concordo. Eu acho que Hannah quis alertar, para que essas pessoas não cometam o mesmo erro. Ela mesmo fala (no livro fica mais claro) que acredita que eles não tinham a intenção de magoar (menos o Bryce né gente esse daí nem a mãe ama). Eu já acredito que ela está sendo ingênua. Eles sabiam sim que estavam magoando, poderiam não ter noção do quanto magoaria e que ela tiraria a própria vida, mas sabiam que o que estavam fazendo era errado.
Na série acrescentaram várias coisas que não tinha no livro, como o processo judicial movido pelos pais da Hannah contra a escola. Eu achei bem interessante porque é um jeito de Hannah ter justiça. Mudaram poucas coisas, a série está bem fiel ao livro. Outra coisa que achei interessante é que mostra como está a vida das pessoas depois que Hannah morre. Na série, Clay é mais vingativo e quer justiça por Hannah. No livro ele só passa as fitas e também fica bastante transtornado com o conteúdo das fitas.

Na série, há aqueles que culpam Hannah (e eu li na internet pessoas fazendo isso), dizem que ela era uma louca que se matou para chamar atenção. E aí eu lanço um questionamento para pessoas da vida real que viram a série e pensaram da mesma forma: você acha que alguém desistiria de tudo (carreira, futuro, família, amigos etc) por pura atenção? Se ela quisesse atenção ela pendurava uma melancia na cabeça e saia por aí e continuava viva. Uma pessoa se mata porque está desesperada e não aguenta mais. No fundo, ela quer viver. Mas não vê solução para seus problemas e para sua dor. Ela é uma vítima da sociedade e de seus problemas. Tudo bem que foi ela que decidiu tirar a própria vida, mas, isso teria acontecido se as pessoas tivessem tratado ela da maneira que trataram? Não há um culpado específico, foram vários eventos que culminaram nesse trágico desfecho.
Mas, eu acho que a principal mensagem da série é que você pode não ser um Bryce ou Jessica da vida, que motivaram diretamente na morte de Hannah, mas pode ser um Clay que era a pessoa mais próxima dela, viu os sinais e não percebeu, não fez o bastante (e ele se culpa eternamente por isso). Por isso, fique atento as pessoas ao seu redor. Perceba mudanças bruscas de comportamento, e ache estranho quando a pessoa começar a falar frases como "quero sumir, o mundo seria melhor sem mim etc". E se você for essa pessoa e ninguém notou seus sinais, busque ajuda. Procure um psicólogo ou psiquiatra. Aqui no Brasil há uma rede de voluntários muito legal que é o CVV (Centro de Valorização da Vida), e eles tem um número 141 que é 24h. Você também pode falar com eles através do site. Divulgue esse site e salve vidas.


31 março 2017

Parem de romantizar doenças mentais

Um assunto que vez ou outra aparece é o assunto de doenças mentais. Hoje em dia é normal alguém dizer que tem alguma doença mental, mas, muita gente que diz que tem, nunca foi nem para um psiquiatra. É claro que existem muitas pessoas sem o diagnóstico e o cuidado correto. Porém, existem muitas pessoas que dizem ter tal doença só porque agora virou moda ter tais doenças. Quantas vezes você já ouviu alguém dizer "ai eu tenho TOC" "fulano é meio bipolar né" ou alguém dizer que tem ansiedade só porque ela fica ansiosa para eventos futuros (o que é normal, já que se tem um evento você obviamente vai ficar ansioso) ou só porque a pessoa muda de humor dizer que é bipolar (gente é normal mudar de humor e bipolaridade não é só isso). Todos nós temos um ou outro sintoma de alguma doença mental, o problema é quando você tem vários e isso atrapalha tua vida.
Pare de romantizar doenças mentais

Agora é comum romantizar depressão e ansiedade, principalmente na internet. Muito bom gritar na internet (ou até fora dela) que tem ansiedade/depressão/ TOC/bipolaridade etc quero ver passar mal toda vez que for apresentar trabalho, ter que tomar rivotril antes de ir pra aula (porque a faculdade te deixa ansiosa/nervosa/com medo), quero ver alterar seu estado de humor para mania e depressão (pesquisem as diferenças desses dois estados) e ficar ao ponto de enlouquecer, quero ver ter ataque de pânico toda vez que for andar de ônibus porque você tem pavor de ser assaltada (e você nunca foi, mas você jura que dessa vez você vai ser assaltada e vai ser a pior experiência da sua vida, você já imagina eles botando a arma na sua cabeça e você já imagina o pior que vão te sequestrar e você nunca mais vai ver sua gatinha). Viver assim é difícil, e olha que eu só citei alguns exemplos.
Uma pessoa quando fica gritando que tem doença mental, pode ser por duas razões: ela quer conscientizar as pessoas acerca de sua condição, ou ela na verdade não tem doença mental nenhuma e só fala isso porque romantiza a doença e quer aparecer pois acha legal ter doença mental.
Ter doença mental não é legal. Eu tenho mais de uma doença mental (diagnosticada por um profissional e devidamente medicadas) E eu sei o quanto é doloroso possuir essas enfermidades. Elas vão tirando pedacinhos de você e às vezes você é deixado no chão, vazio, tentando recolher os restos que sobraram.

26 março 2017

Resenha: batons Quem disse, Berenice

Semana passada eu comprei três batons da marca Quem disse, Berenice. Comprei as cores, Castanheli, Vermeli e o metálico (que é novidade) Nudeluz.
Na foto seguinte comparei o Castanheli com alguns batons que eu já tinha, na ordem: o Castanheli, depois o Moana do Pausa para Feminices e o Luísa da Bruna Tavares
Na próxima foto comparei o Vermeli com outros batons que eu possuía, na ordem: o Vermeli, o Cruella da Nars, o Pandora da Pausa para Feminices e o Diva da MAC
Bom, nas fotos podemos ver que eu não tenho nenhum batom exatamente igual aos tons que eu comprei (o que é ótimo, né rs). O vermelho, apesar de ser um tom comum tem um tom diferenciado e o Castanheli tem um tom único. o Nudeluz nem fiz comparação, porque não tenho nenhum batom parecido com ele.

                                                    Os batons nos meus lábios 
    Os batons duram bastante, e até depois que eu comi eles ainda continuaram nos meus lábios, só se eu comia algo mais gorduroso ele saia um pouco. Dura na boca cerca de 5 horas.
A marca não testa em animais. Eu verifiquei cada ingrediente do batom e vi que nenhum era de origem animal, mas o sac da marca não me confirmou se os batons eram veganos. Mas eu já li num blog que era vegano, enfim, que souber me avise, por favor. 

18 março 2017

Moonlight

SinopseTrês momentos da vida de Chiron, um jovem negro morador de uma comunidade pobre de Miami. Do bullying na infância, passando pela crise de identidade da adolescência e a tentação do universo do crime e das drogas, este é um poético estudo de personagem.

Um filme belo, que trata de forma crítica problemas que passam na vida de um jovem negro periférico. Eu relutei muito em ver esse filme, pois sabia que traria forte impacto em mim. O filme trata de bullying, e eu que já sofri bullying, sei o quanto é difícil ver qualquer situação que me lembre a esse terrível sofrimento que eu passei. São cenas fortes. Até quem nunca passou por nada parecido vai sentir algo, uma pontada no estômago. (se você não sentir nada, sinto muito você é muito frio) 

Chiron sofre bullying, pela razão pela qual a maioria das pessoas sofrem bullying: por ser diferente. Ele é homossexual, não assumido. Mas que as pessoas percebem e pegam no seu pé por causa disso. É lamentável que na vida real cenas como essa ocorram. Ninguém deveria sofrer bullying por nenhuma razão. Ninguém merece sofrer bullying.



Chiron tem uma mãe que tem dependência química, e por ser desequilibrada desconta tudo no pobre filho. Um dia, quando estava fugindo dos garotos que faziam bullying com ele, um homem (Juan) o resgata e o torna seu amigo, como se fosse um pai. E daí surge uma linda amizade, em que ocorre cenas lindíssimas, que deu ao Mahershala Ali a indicação ao Oscar. A fotografia está maravilhosa, além do filme merecer os prêmios principais do Oscar, merece também esse prêmio técnico. 

Um filme delicado, mas ao mesmo tempo forte, que fala da vida dura de um jovem negro numa comunidade pobre, e de como a vida é mais difícil para quem nasceu nessas condições. E mostra mais uma vez que a meritocracia é uma farsa. Não dá para comparar alguém que viveu nessas condições com alguém que nasceu em um berço de ouro. 

11 março 2017

Cinco mulheres inspiradoras

1. Malala Yousafzai
   Malala é uma menina paquistanesa de apenas 19 anos, que já fez muito pelas meninas e mulheres do mundo. Ela foi a pessoa mais jovem a ganhar o prêmio Nobel. Ela ganhou notoriedade quando foi baleada pelo talibã por lutar pelo direito das meninas de terem direito à educação. Aos 11 anos ela começou a escrever um blog anonimamente em que falava sua paixão sobre os estudos e as dificuldades enfrentadas no Paquistão sob o domínio do Talibã. No dia 9 de outubro, Malala deixou sua escola e seguiu para o ônibus que a levava para casa. Posteriormente, ela contou ter achado estranho o fato de as ruas estarem vazias. Pouco depois, dois jovens subiram no ônibus, perguntaram por ela e dispararam. Além de Malala, outras duas meninas também foram baleadas. Em entrevista à BBC, Malala disse que "a melhor maneira de superar os problemas e lutar contra a guerra é através do diálogo. Esse não é um assunto meu, esse é o trabalho do governo (...) e esse é também o trabalho dos EUA". Seu primeiro pronunciamento público ocorreu nove meses após o ataque, quando fez um discurso na Assembleia de Jovens da ONU. Na ocasião, ela reforçou que não será silenciada por ameaças terroristas. "Eles pensaram que a bala iria nos silenciar, mas eles falharam", disse em um discurso no qual pediu mais esforços globais para permitir que as crianças tenham acesso a escolas. "Nossos livros e nossos lápis são nossas melhores armas", disse ela na oportunidade. "A educação é a única solução, a educação em primeiro lugar".
"Os terroristas pensaram que eles mudariam meus objetivos e interromperiam minhas ambições, mas nada mudou na vida, com exceção disto: fraqueza, medo e falta de esperança morreram. Força, coragem e fervor nasceram", completou.
Tem o livro dela "Eu sou Malala" que ela escreveu junto com a jornalista Christina Lamb, que é incrível. O livro mudou minha vida e me fez dar mais valor a educação.


2. Brie Larson
Brie Larson, recentemente fez um pequeno e silencioso protesto, ao se recusar a bater palmas ao ator Casey Affleck (acusado de assédio sexual, leia mais aqui) ao ganhar o Oscar. Foi um protesto corajoso, pois ela sabia que ia dar muita repercussão, mas acho que ela foi a única (se eu tiver errada, me corrijam) artista que se posicionou contra o Casey Affleck. Ela é uma ativista do direito das mulheres e não poderia ficar calada. Vale lembrar que em 2016 quando Lady Gaga interpretou a canção “Til It Happens To You”, do documentário The Hunting Ground, que foca em casos de assédio sexual em campus de faculdades, Brie abraçou todas as vítimas que compuseram a perfomance de Gaga no palco. Ela também entregou o Globo de Ouro pra ele e optou por não abraçá-lo.


3. Viola Davis
Viola Davis foi a primeira mulher negra a conquistar o Emmy, Oscar e Tony. Ela também foi a primeira mulher negra a ser indicada três vezes. Ela teve uma infância pobre. Até mesmo coisas simples como ter o que comer eram uma questão para sua família. Ela disse em uma uma entrevista recente a People: “Eu pularia em latas de lixo com larvas para procurar por comida, eu roubaria da venda da esquina, porque eu tinha fome. Eu nunca levei outras crianças na minha casa porque ela era uma construção condenada, cheia de tapumes, infestada de ratos. Eu era dessas crianças que era pobre e sabia.”  Mas isso nunca abalou sua mente criativa. Tudo começou a dar certo para Viola quando a então estudante ganhou uma bolsa integral num colégio de Rhode Island, onde vivia. Depois, se formou em Juilliard, em Nova York, onde finalmente começou a ser reconhecida como atriz, na Broadway. Ela sofreu racismo e bullying na escola. Viola Davis conta mesmo, segundo o El País, que a praga de ratos era tal que lembra-se de como os pequenos roedores comiam a cara das suas bonecas e que, à noite, tinha de colocar farrapos no pescoço para que não fosse mordida. Apesar da precariedade em que vivia, nunca perdeu o ânimo de seguir em frente. Rainha inspiradora mesmo, né?


4. Frida Kahlo
Frida desenvolveu poliomielite durante a infância, o que resultou numa série de operações que sofreu ao longo da vida. A poliomielite deixou uma lesão no seu pé direito e ganhou o apelido de "Frida perna de pau". Mais tarde, em 1925, a artista sofreu um acidente em que teve múltiplas fraturas e precisou fazer 35 cirurgias. Foi nesse período, em que ficou presa à sua cama e com problemas na coluna, que começou a pintar e retratar suas angústias e frustrações em suas criações. Ela sofreu três abortos e usou a pintura para superar esse momento difícil. Ela era bissexual. Ela não se importava com padrões estéticos, tinha uma "monocelha" e pêlos no busso, além disso não tinha o corpo padrão da época e não ligava para isso. A inspiração para sua pintura veio de suas dores e angústias, uma mulher muito forte e a frente do seu tempo.


5. Demi Lovato
Todo mundo sabe que Demi passou por muitas coisas, mas poucas pessoas sabem o que ela realmente passou. Demi Lovato, sofria de bulimia, anorexia, se auto-mutilava, e sofre de bipolaridade. Ela também teve problemas com álcool e drogas. Tudo começou quando ela sofria bullying na escola. Ela disse que eles inclusive fizeram um abaixo-assinado pedindo para que ela se matasse. Veja que pesado e triste. Mas, hoje em dia ela usa essa dor como motivação para ajudar as pessoas. Ela participar de diversos trabalhos voluntários, inclusive tem sua própria ONG. Onde ela criou um programa para ajudar pessoas que tenham doenças mentais. Com esse programa ela paga todo o tratamento da pessoa. Ela também faz diversas campanhas contra o bullying, e recentemente fez uma campanha junto com a Hillary Clinton para trazer conscientização para os portadores de doenças mentais. Ela disse: “Se você conhece alguém que está lidando com isso ou se você mesmo está passando por isso, saiba que é possível viver bem. Sou a prova viva disso.”É muito inspirador quando se vê pessoas usando sua dor para ajudar o outro, é de uma resiliência e solidariedade sem tamanho.


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