19 julho 2018

A cidade que sorriu para mim

Para ser sincera, eu estava um pouco desanimada antes de fazer esse intercâmbio. Pouco tempo antes tinha passado dois meses no Canadá e não foi das melhores experiências. Estava com medo de fazer outro intercâmbio. Mas tudo isso mudou quando cheguei em Brighton. Uma cidade tranquila, com pessoas extremamente simpáticas  e atrações legais.

Nesse intercâmbio eu aprendi muito. Por ter tido uma experiência traumática no outro intercâmbio, essa viagem foi um desafio. Um desafio que eu venci. E eu estou muito orgulhosa de mim. Só eu sei o que passei para chegar até aqui, só eu sei o que passei aqui. Tudo para mim já é intenso e, aqui, foi tudo muito mais intenso. Minhas emoções estavam a flor da pele, mas isso significa que eu vivi. E aproveitei. Apesar de ter passado por situações ruins, eu passei por muitas boas também. Eu aprendi que tudo é passageiro e a vida é efêmera demais. Vi que sou mais forte do que pensava. Enfrentei traumas, passei por situações inimagináveis, que dariam um livro. E que sim, sou mais forte que meu transtorno mental. Que meus medos.
Eu agradeço a essa cidade por ter me ensinado tanto. E que me cativou de todas as formas possíveis. Uma cidade em que todos sorriem quando você olha para eles não poderia ser uma cidade ruim. Ela sorriu para mim, e eu sorri de volta. Brighton, eu te amo. Eu te amo, porque como qualquer relacionamento não foi fácil, mas foi um relacionamento saudável e feliz. E eu não digo que chegou ao fim, apenas a uma pausa para seguirmos caminhos diferentes. Eu prometo voltar. Mas obrigada por ter me feito mais forte, por ter me amadurecido e me tornado uma pessoa melhor. Eu nunca vou te esquecer. Nunca. See you soon.

01 julho 2018

Como é viver na Inglaterra

Viver na Inglaterra é bem diferente do brasil, obviamente. tudo é diferente, as pessoas, o clima, transporte público, as cidades etc. O que mais me chocou foram as pessoas, principalmente de Brighton, a cidade que moro. Elas são extremamente gentis. Se você olhar para alguma delas, em vez de elas fazerem cara feia ou algo do tipo, elas sorriem pra você! É totalmente normal ser parada na rua para ouvir elogios. “amei seu cabelo” “adorei sua bolsa” e por aí vai. Aqui eles falam o tempo todo obrigado, por favor, desculpe e com licença. Muitas vezes eu esbarrei neles ou eu que estava errada e eles que pedem desculpas. Claro, existem pessoas grossas como em todo canto, mas são uma minoria e eu nem lembro delas. Eu odeio grosseria e falta de educação, então viver numa cidade em que a maioria respeita uns aos outros e o ambiente em que vivem, me fez apaixonar pela cidade. 


Os ônibus tem wifi e tem primeiro andar, e muitos dos ônibus são decorados com desenhos de cachorros por exemplo. Tudo é tão moderno que você pode comprar seu ticket por um aplicativo no celular e dura o dia todo e tem desconto para estudantes. Muitos lugares dão descontos para estudantes, como cinemas, restaurantes, cafeterias entre outros. Tudo é bem organizado e todas as paradas de ônibus tem os nomes e as letras correspondentes. É uma cidade muito agradável de se viver, em que as coisas funcionam e tudo é mais fácil. Brighton fica a cerca de uma hora de trem de Londres, então dá para ir e voltar no mesmo dia. Tem uma estação de trem para ir para lugares mais distantes e ônibus que circulam por toda a cidade e até para outras cidades. 

O país tem defeitos também, como em todo canto, tem um problema sério com habitação, há vários moradores de rua, infelizmente. Mas no geral, é um bom país para se viver e estou achando melhor do que o Canadá em que estudei por dois meses.

18 março 2018

A dor de amar mais do que ser amada

Poucas coisas na vida doem mais do que amar e não ser correspondida. E não digo só numa relação amorosa, mas em qualquer relação. Ser a pessoa que ama mais dói imensamente. Saber que ninguém vai te amar da mesma forma que você as ama é extremamente difícil.
Eu sou uma pessoa que sente muito e sou intensa e isso acaba gerando grandes dores para mim. Eu não culpo as pessoas. O fato de eu amar demais é um problema que só compete a mim. Não é culpa delas o que eu sinto. Mas, isso me entristece profundamente. Me dói saber que eu nunca vou sentir o mesmo amor que eu dou para as pessoas. E isso é frustrante. Dói. Dói demais. Às vezes penso que não vou aguentar. Imagina sua vida toda você viver num looping eterno de amar e não ser correspondida? É assim que me sinto. Não correspondida. E nem nunca vou ser. E eu me sinto até culpada por isso. "Quem manda amar demais?" eu penso. Mas talvez não seja culpa de ninguém. Eu apenas nasci assim e infelizmente isso não vai mudar. Ah, mas que dói e parece que você vai se sufocar de tantos sentimentos isso dói. Parece que seu coração vai pular pela boca. E às vezes você deseja que ele realmente pulasse para que você tivesse paz.
"Amar demais sempre mata você. Te despedaça e bagunça sua mente. Te deixa acordado às três da manhã desejando que você não tivesse sentimento algum."

Paz. É algo que eu nunca tenho. Paz é tranquilidade e ser intenso não é tranquilo para ninguém. Eu não sou muito de rezar, mas as vezes eu peço "Deus me tire esse peso ou pelo menos me dê forças para aguentar isso."
O pior de tudo é que ninguém entende. "Mas por que você está mal?" e é extremamente difícil explicar que você está mal porque você simplesmente ama demais. E por amar demais eu sofro muito mais que qualquer pessoa "normal". Quando alguém vai embora da minha vida parece que ela arrancou um pedaço de mim junto. Às vezes da vontade de ir embora desse mundo também pois a dor é tanta que parece que não vou suportar. Mas eu aguento.

10 setembro 2017

Eu sei o que é querer morrer

Hoje, é o dia internacional de Prevenção de Suicídio. Estamos no Setembro Amarelo. Um mês para desmitificar o suicídio e tentar dar apoio aqueles que tem pensamentos suicidas. Esse mês é de extrema importância, visto que mais de 800 mil pessoas morrem por causa do suicídio todo ano, ou seja, a cada 40 segundos alguém se mata, segundo a OMS. Fora o grande número de pessoas que tentam suicídio e não conseguem morrer. Um número grande, mas que por falta de dados, não se tem um número exato. O fato é: suicídio é problema de saúde pública. E nenhum país faz nada por isso. A maioria das pessoas que morrem por causa de suicídio tem alguma doença mental (cerca de 90%). É uma das mortes mais fáceis de ser evitada, mas infelizmente, ninguém liga para isso. Muitas vezes culpam as pessoas que se matam, dizendo que elas queriam atenção ou que eram loucas. Cada um sabe a dor que carrega. Viver com uma doença mental é extremamente difícil. E falo isso por experiência própria. Muitas vezes dá vontade de desistir e muitas vezes eu quase desistir.

Desde pequena eu sofri bullying (um fator que aumenta bastante os casos de suicidio), então desde que me entendo por gente eu tinha pensamentos suicidas, mas nunca tinha feito nada. Até que eu comecei a ter uma anorexia e me sentia muito culpada e infeliz comigo mesma e comecei a me auto-mutilar e ao mesmo tempo sofria bullying. Meses depois comecei a sofrer bullying de minhas "amigas" e foi aí que tudo piorou. Eu me cortava todos os dias e não via mais razoes para viver, mas nunca tinha realmente tentado me matar. Na época, meu diagnóstico era de depressão profunda. Eu tinha apenas 13 anos. Em 15 de novembro, três dias depois do meu aniversario, eu estava muito triste pois esse tinha sido o pior aniversário da minha vida. E uma das meninas que fazia bullying comigo, resolveu falar comigo com uma conversa que parecia ser amigável, então respondi. Depois de um tempo, vi o que ela queria fazer. Começou a me humilhar e disse que tudo o que tinha acontecido era culpa minha, e que eu só queria atenção e outras coisas horríveis (bem típico do opressor culpar o oprimido). Então eu não aguentei e tentei me matar pela primeira vez. Tomei todos os remédios (inclusive um de depressão que tomava) que vi pela frente. Eram muitos remédios, pois minha mãe é médica e possuía vários remédios e nenhuma mãe imagina que sua filha vai tentar se matar, e eu nunca tinha dado nenhum sinal para meus pais, sempre escondia e guardava tudo para mim. Tomei e fui dormir para nunca mais acordar. Isso era madrugada e no outro dia minha mãe iria acordar cedo para trabalhar, ela acordou e viu todos os remédios espalhados. Meia hora depois, me acordou perguntando se eu tinha tomado os remédios, eu estava muito grogue e acho que disse que não, mas ela sabia que eu tinha tomado. Então me levou correndo para o hospital. Lá, fiz todo o necessário para cortar o efeito dos medicamentos. Eu não queria fazer, mas fui obrigada. Fiquei 24h de observação e voltei para casa.

Essa não foi a última vez que tentei me matar. Tentei me matar no ano seguinte várias vezes. E no ano seguinte também. E vários outros anos. Eu não me orgulho disso, claro. Mas é a minha história e não posso apagar. E espero com a minha história, salvar vida de outras pessoas, que não tiveram a minha sorte. Muitas vezes eu não demonstrava que queria morrer. Várias vezes depois de tentar me matar tive que voltar paras as aulas e agir como se nada tivesse acontecido e ninguém suspeitava de nada. Os pensamentos suicidas continuam comigo, não vou mentir. Se livrar de algo que você tem desde que se entende por gente é algo extremamente difícil. Minha médica diz que são pensamentos obsessivos, pensamentos "intrusos", que por mais que eu tente expulsa-los eles sempre voltam para me assombrar. E isso só pode ser curado com muita terapia, ajuda de psiquiatra e medicamentos. Mas isso dura anos. E é um processo diário para que eu lute todo dia contra a vontade de me matar. Nesse dia, nesse mês e em todos os dias do ano, eu peço que tenham mais empatia com o próximo. Se você vê alguém depressivo que constantemente fala sobre morte e que quer morrer, por mais que pareça "brincadeira" converse com ele. Ajude. Escute. E não julgue. Cada um sabe a cruz que carrega. E ter uma doença mental piora tudo. Eu não desejo para ninguém a doença que eu tenho. Doenças mentais são doenças como qualquer outra. Insista para que seu amigo procure ajuda profissional, conversar com você não vai ser suficiente. Pois é uma doença e como qualquer outra doença precisa de tratamento. Parem de fazer piadas com suicídio e doenças mentais. Não é engraçado. Isso machuca e só contribui pela forma horrível com que nós somos tratados. O suicídio no Brasil, por exemplo, está subindo. O governo não faz quase nada, a população na maioria das vezes nem liga, e as pessoas suicidas guardam cada vez mais para si seus sentimentos. E isso precisa mudar. Essa é a primeira vez que falo abertamente sobre isso. Ninguém sabe que eu ja tentei me matar tantas vezes. Pois sei que vão me julgar e não vão tentar me ajudar. E isso é errado. Não abandone uma pessoa que precisa de você. Imagina você estar com câncer e ser abandonada por amigos? É a mesma coisa com doenças mentais. Isso só vai piorar o estado mental da pessoa. 

Se você que leu esse texto e está se sentindo suicida, aqui vai algumas formas de ajuda: 
Ligue para o CVV, o número é 141 e eles vão te acalmar quando você estiver desesperada. Mas, essa ajuda é só momentânea, então procure imediatamente uma ajuda para que você tire esses pensamentos da sua cabeça.
Toda universidade federal oferece consultas psicológicas gratuitas ou de baixo custo, procure no google "psicólogos e nome da universidade"que vai aparecer um número para você ligar. Nesse link tem informações para consultar na Universidade Federal de Pernambuco, onde eu estudo.
Existe também o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) que é gratuito. Procure no google CAPS e a sua cidade que vai aparecer o mais perto, vá no centro e diga que precisa de ajuda. Existem também os CAPS através de planos de saúde, onde eu já fiquei e acho que ajuda o paciente. 
No SUS também tem serviços de psicólogos e psiquiatras, é mais difícil, mas tente. A melhor alternativa é o CAPS, onde não é tanta gente.
Se você tem mais condições, procure um psicólogo e psiquiatra particular.
Mas, pelo amor de Deus, não fique sem procurar ajuda, não diminua seu problema, quanto mais cedo você buscar ajuda, menos chances você tem de tentar se matar. Sua dor é válida. Eu entendo você, eu sei o que é pensar que é um fardo para todos, se sentir um lixo, e achar que você não suporta mais sua dor e que a morte é a solução. Mas, você é mais forte do que você pensa. E não se culpe. Você precisa de ajuda. E não tem nada de errado em procurar ajuda. Quando você tem pneumonia, você vai para o hospital, porque com doenças mentais seria diferente? Precisamos acabar com esse estigma. Por fim, que todos permaneçam fortes. Estou passando por um momento extremamente difícil agora, acho que o mais difícil de todos, e escrever esse texto me ajudou. Espero que ajude outros. Nós somos maiores que nossas doenças, nós somos maiores que os pensamentos suicidas. E eu espero do fundo do meu coração, que os governos de todo o mundo deem mais atenção para esse problema sério. Precisamos cobrar do governo também. Esse é um problema sério, que pode facilmente ser evitados. Pessoas suicidas e com doenças mentais NÃO são loucas. Loucos são os que tratam pessoas assim feito lixo. Elas são doentes, é diferente. Vamos ajudar os que não conseguem se ajudar. Suicídio e doença mental não escolhe classe social. Pobres e ricos. não importa, podem ter esse problema. Então não julgue. 
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