23 julho 2017

Transporte público no Canadá

Para quem não sabe, eu estou fazendo intercâmbio na cidade de Vancouver no Canadá, que fica no estado de British Columbia. Eu cheguei há pouco mais de duas semanas, mas já andei por vários cantos, e obviamente dependo de transporte público para chegar nesses lugares. Aqui existem três tipos de transportes públicos: Sky Train (mais conhecido por nós brasileiros como o famoso metrô), ônibus e o Sea Bus (mais embaixo vou explicar o que é esse Sea Bus). O transporte público aqui não é tão diferente do Brasil, o que me decepcionou um pouco. Mas tem algumas diferenças sim. Abaixo vou listar cada transporte e citar as maiores diferenças e semelhanças com o Brasil.

Modo de pagamento 
Para entrar no metrô você só pode entrar com um cartão, que você faz na própria estação (mas o cartão em si você compra numa loja, tipo farmácia por exemplo e custa seis dólares). Você pode carregar uma quantia x de dólares que aparecem na máquina ou fazer um plano mensal ou de mais tempo (essa maneira vale mais a pena se você for passar mais tempo aqui ou for morador). Você também pode escolher entre o plano que dá direito a apenas uma cidade (tipo tarifa A no Brasil) ou que da acesso a mais de uma cidade (tarifa A e B no Brasil). Como eu ainda não tinha certeza se ia passar seis meses, eu fiz o plano mensal de poder sair para mais de uma cidade no estado de British Columbia. Foi 121 dólares e alguns centavos. Mas você pode usar ilimitado o Sky Train, o ônibus e o Sea Bus. Então esse plano é bem mais vantajoso para mim, por exemplo, que saio direto e uso o transporte público várias vezes num dia só e todo dia praticamente eu saio. A passagem é um pouco cara (pelo menos eu achei). É $2.75 (zona 1), $4.10 (zona 2) e $5.60 (zona 3). Mas, como tem esse cartão fica bem mais em conta.

Sky Train 
O Sky Train é o que nós conhecemos como metrô. Existem 3 linhas e 49 estações aqui em British Columbia. O metrô é de fácil acesso e corta vários pontos do estado, eu não moro exatamente em Vancouver, moro em Richmond, uma cidade do lado de Vancouver. E eu pego um ônibus e um metrô e desço perto da minha escola. Todo o percurso dura cerca de quarenta minutos ou menos.
90% das vezes o metrô está lotado. Sério. Eu ja andei em todos os horários possíveis e só peguei uma vez vazio. Era 22/23 horas numa terça-feira. É lotado, mas não tão lotado quanto o metrô de São Paulo em horários de pico (já vivi essa cena).  Mas é beeem lotado. Para quem tá acostumada com Rio Doce -CDU (pernambucanos entenderão), não é um choque tão grande, haha. Uma diferença gritante no metrô daqui, é que todos fazem fila na frente das portas e dão um espaço para as pessoas que estão dentro do metrô saírem. E quase todos respeitam. Um ou outro (pouquíssimos, dá para contar no dedo as vezes que vi gente desrespeitando) não esperam os que estão dentro saírem. Mas na maioria das vezes as outras pessoas que estão do lado reprimem essa ação.


Ônibus 
A primeira diferença do ônibus é que não há cobrador. O pagamento da passagem é feito através do cartão ou de moedas (você tem que ter o valor exato da passagem que é dois dólares e alguns centavos). De frente para os assentos há um pequeno "monitor"que aparece o nome na próxima parada. Há também uma voz que fala a próxima parada. Antes de entrar no ônibus há uma fila na maioria das paradas e todos respeitam essa fila. Dando prioridade sempre para idosos, deficientes e grávidas. Os ônibus muitas vezes são lotados, mas menos que o metrô, e em horários que não tem tanta gente você consegue ir sentado (se você for o primeiro da fila ou se o ônibus já não estiver lotado). Tanto no ônibus quanto no metrô, você dificilmente ver um idoso/deficiente/grávida em pé. Geralmente, se eles estiverem em pé é porque querem (diversas vezes ofereci meu lugar a idosos e eles recusaram e até agora não sei a razão). Outra coisa muito interessante é que na frente do ônibus tem lugar para botar a bicicleta. Muito legal, né?



Sea Bus
Esse meio de locomoção é o mais diferente. Creio que não tem no Brasil. É basicamente um ônibus na água(!!!!!!!) surreal, né? Ele só transporta de Vancouver para North Vancouver (outra cidade). A viagem dura apenas 15 minutos e consequentemente ele para na "parada"de 15 em 15 minutos. Cabe 400 pessoas então acho que nunca vai estar lotado. Eu andei nele esse fim de semana e foi uma boa experiência. Ele não balança feito navios ou barcos, é feito um ônibus na água mesmo. Fiquei muito impressionada com esse meio de transporte. Rápido, eficiente e inovador.



As pessoas em geral, não são como no Brasil que quando a porta do transporte público abre eles saem correndo come se a vida deles dependessem disso. É tudo mais tranquilo e mais organizado. Quando um lugar no transporte fica vazio, não tem aquela disputa para ver quem vai sentar primeiro, dão prioridade para quem já estava perto do assento. E mesmo assim já vi diversas vezes lugares vazios e as pessoas em pé. Por qual razão eu não sei hahaha.

Bom, essa é minha impressão do transporte público daqui do Canadá. Lembrando que essa é a MINHA visão e que eu estou falando do estado de British Columbia, não de todo o Canadá. Mas Vancouver é a segunda maior cidade do país, então acho que dá para ter uma noção de como é o transporte público no resto do país. Em geral, é melhor do que do Brasil. Mas também tem muitos defeitos, acho que se o governo oferecesse um número maior de ônibus e metrôs, o problema se resolveria. Outro problema também, é que em cidades sem ser Vancouver, o ônibus só vai até uma hora da manhã, e mesmo assim são pouquíssimos ônibus, um a cada hora mais ou menos. E o metrô só vai até 1h da manhã mais ou menos também. O que impede de quem não mora em Vancouver voltar para casa mais tarde.


06 abril 2017

13 reasons why e porque precisamos falar de suicídio

Sinopse: Uma caixa de sapatos é enviada para Clay (Dylan Minnette) por Hannah (Katheriine Langford), sua amiga e paixão platônica secreta de escola. O jovem se surpreende ao ver o remetente, pois Hannah acabara de se suicidar. Dentro da caixa, há várias fitas cassete, onde a jovem lista os 13 motivos que a levaram a interromper sua vida - além de instruções para elas serem passadas entre os demais envolvidos.

Uma série impactante. É assim que 13 reasons why poderia ser descrita. Mas, apesar de ser impactante e forte (contém cenas de estupro e claro, do suicídio) é uma série necessária que aborda várias temáticas como bullying, suicídio, a culpalização da vítima (assunto para outro post), estupro e outros temas. Eu li o livro há muitos anos, eu devia ter uns 13 anos (hoje em dia estou com 19) e na época eu sofria bullying na escola, então esse livro me ajudou muito, pois eu via alguém que me entendia.
Mas, esse livro é essencial para aquelas pessoas que tem alguém próximo que tentaram suicídio ou sofreu bullying. Ou alguém que quer entender mais esse assunto para caso lide com algo parecido. E esse livro deveria ser leitura obrigatória para todos. Suicídio é problema de saúde pública, cerca de 800 mil pessoas morrem todo ano segundo a OMS. 800 mil pessoas tiram a própria vida. 800 mil pessoas escolhem morrer, seja por bullying, por doença mental ou por qualquer outro problema.
Uma coisa que a série e o livro foca é que as palavras machucam. E muito. E muitas vezes nós não temos noção o quanto essas palavras machucam e afetam a pessoa que as ouviu. Por isso, é preciso ter cuidado. Muitas vezes somos o porquê de alguém e não sabemos. Você pode ter passado pela vida de alguém que tentou se matar por sua causa e você não sabe. Outra coisa que a série traz é que por mais que Hannah achasse que não faria diferença para ninguém, a morte dela afetou várias pessoas. E por mais que em certos momentos pensamos que se morrêssemos ninguém notaria, sempre há aquela pessoa que notaria. Todos temos o nosso Clay.

Muita gente criticou a Hannah por ter enviado as fitas, disse que ela motivou as pessoas a ficar mal e assim poderia motivar alguém a também acabar com a própria vida. Porém, eu não concordo. Eu acho que Hannah quis alertar, para que essas pessoas não cometam o mesmo erro. Ela mesmo fala (no livro fica mais claro) que acredita que eles não tinham a intenção de magoar (menos o Bryce né gente esse daí nem a mãe ama). Eu já acredito que ela está sendo ingênua. Eles sabiam sim que estavam magoando, poderiam não ter noção do quanto magoaria e que ela tiraria a própria vida, mas sabiam que o que estavam fazendo era errado.
Na série acrescentaram várias coisas que não tinha no livro, como o processo judicial movido pelos pais da Hannah contra a escola. Eu achei bem interessante porque é um jeito de Hannah ter justiça. Mudaram poucas coisas, a série está bem fiel ao livro. Outra coisa que achei interessante é que mostra como está a vida das pessoas depois que Hannah morre. Na série, Clay é mais vingativo e quer justiça por Hannah. No livro ele só passa as fitas e também fica bastante transtornado com o conteúdo das fitas.

Na série, há aqueles que culpam Hannah (e eu li na internet pessoas fazendo isso), dizem que ela era uma louca que se matou para chamar atenção. E aí eu lanço um questionamento para pessoas da vida real que viram a série e pensaram da mesma forma: você acha que alguém desistiria de tudo (carreira, futuro, família, amigos etc) por pura atenção? Se ela quisesse atenção ela pendurava uma melancia na cabeça e saia por aí e continuava viva. Uma pessoa se mata porque está desesperada e não aguenta mais. No fundo, ela quer viver. Mas não vê solução para seus problemas e para sua dor. Ela é uma vítima da sociedade e de seus problemas. Tudo bem que foi ela que decidiu tirar a própria vida, mas, isso teria acontecido se as pessoas tivessem tratado ela da maneira que trataram? Não há um culpado específico, foram vários eventos que culminaram nesse trágico desfecho.
Mas, eu acho que a principal mensagem da série é que você pode não ser um Bryce ou Jessica da vida, que motivaram diretamente na morte de Hannah, mas pode ser um Clay que era a pessoa mais próxima dela, viu os sinais e não percebeu, não fez o bastante (e ele se culpa eternamente por isso). Por isso, fique atento as pessoas ao seu redor. Perceba mudanças bruscas de comportamento, e ache estranho quando a pessoa começar a falar frases como "quero sumir, o mundo seria melhor sem mim etc". E se você for essa pessoa e ninguém notou seus sinais, busque ajuda. Procure um psicólogo ou psiquiatra. Aqui no Brasil há uma rede de voluntários muito legal que é o CVV (Centro de Valorização da Vida), e eles tem um número 141 que é 24h. Você também pode falar com eles através do site. Divulgue esse site e salve vidas.


31 março 2017

Parem de romantizar doenças mentais

Um assunto que vez ou outra aparece é o assunto de doenças mentais. Hoje em dia é normal alguém dizer que tem alguma doença mental, mas, muita gente que diz que tem, nunca foi nem para um psiquiatra. É claro que existem muitas pessoas sem o diagnóstico e o cuidado correto. Porém, existem muitas pessoas que dizem ter tal doença só porque agora virou moda ter tais doenças. Quantas vezes você já ouviu alguém dizer "ai eu tenho TOC" "fulano é meio bipolar né" ou alguém dizer que tem ansiedade só porque ela fica ansiosa para eventos futuros (o que é normal, já que se tem um evento você obviamente vai ficar ansioso) ou só porque a pessoa muda de humor dizer que é bipolar (gente é normal mudar de humor e bipolaridade não é só isso). Todos nós temos um ou outro sintoma de alguma doença mental, o problema é quando você tem vários e isso atrapalha tua vida.
Pare de romantizar doenças mentais

Agora é comum romantizar depressão e ansiedade, principalmente na internet. Muito bom gritar na internet (ou até fora dela) que tem ansiedade/depressão/ TOC/bipolaridade etc quero ver passar mal toda vez que for apresentar trabalho, ter que tomar rivotril antes de ir pra aula (porque a faculdade te deixa ansiosa/nervosa/com medo), quero ver alterar seu estado de humor para mania e depressão (pesquisem as diferenças desses dois estados) e ficar ao ponto de enlouquecer, quero ver ter ataque de pânico toda vez que for andar de ônibus porque você tem pavor de ser assaltada (e você nunca foi, mas você jura que dessa vez você vai ser assaltada e vai ser a pior experiência da sua vida, você já imagina eles botando a arma na sua cabeça e você já imagina o pior que vão te sequestrar e você nunca mais vai ver sua gatinha). Viver assim é difícil, e olha que eu só citei alguns exemplos.
Uma pessoa quando fica gritando que tem doença mental, pode ser por duas razões: ela quer conscientizar as pessoas acerca de sua condição, ou ela na verdade não tem doença mental nenhuma e só fala isso porque romantiza a doença e quer aparecer pois acha legal ter doença mental.
Ter doença mental não é legal. Eu tenho mais de uma doença mental (diagnosticada por um profissional e devidamente medicadas) E eu sei o quanto é doloroso possuir essas enfermidades. Elas vão tirando pedacinhos de você e às vezes você é deixado no chão, vazio, tentando recolher os restos que sobraram.

26 março 2017

Resenha: batons Quem disse, Berenice

Semana passada eu comprei três batons da marca Quem disse, Berenice. Comprei as cores, Castanheli, Vermeli e o metálico (que é novidade) Nudeluz.
Na foto seguinte comparei o Castanheli com alguns batons que eu já tinha, na ordem: o Castanheli, depois o Moana do Pausa para Feminices e o Luísa da Bruna Tavares
Na próxima foto comparei o Vermeli com outros batons que eu possuía, na ordem: o Vermeli, o Cruella da Nars, o Pandora da Pausa para Feminices e o Diva da MAC
Bom, nas fotos podemos ver que eu não tenho nenhum batom exatamente igual aos tons que eu comprei (o que é ótimo, né rs). O vermelho, apesar de ser um tom comum tem um tom diferenciado e o Castanheli tem um tom único. o Nudeluz nem fiz comparação, porque não tenho nenhum batom parecido com ele.

                                                    Os batons nos meus lábios 
    Os batons duram bastante, e até depois que eu comi eles ainda continuaram nos meus lábios, só se eu comia algo mais gorduroso ele saia um pouco. Dura na boca cerca de 5 horas.
A marca não testa em animais. Eu verifiquei cada ingrediente do batom e vi que nenhum era de origem animal, mas o sac da marca não me confirmou se os batons eram veganos. Mas eu já li num blog que era vegano, enfim, que souber me avise, por favor. 

18 março 2017

Moonlight

SinopseTrês momentos da vida de Chiron, um jovem negro morador de uma comunidade pobre de Miami. Do bullying na infância, passando pela crise de identidade da adolescência e a tentação do universo do crime e das drogas, este é um poético estudo de personagem.

Um filme belo, que trata de forma crítica problemas que passam na vida de um jovem negro periférico. Eu relutei muito em ver esse filme, pois sabia que traria forte impacto em mim. O filme trata de bullying, e eu que já sofri bullying, sei o quanto é difícil ver qualquer situação que me lembre a esse terrível sofrimento que eu passei. São cenas fortes. Até quem nunca passou por nada parecido vai sentir algo, uma pontada no estômago. (se você não sentir nada, sinto muito você é muito frio) 

Chiron sofre bullying, pela razão pela qual a maioria das pessoas sofrem bullying: por ser diferente. Ele é homossexual, não assumido. Mas que as pessoas percebem e pegam no seu pé por causa disso. É lamentável que na vida real cenas como essa ocorram. Ninguém deveria sofrer bullying por nenhuma razão. Ninguém merece sofrer bullying.



Chiron tem uma mãe que tem dependência química, e por ser desequilibrada desconta tudo no pobre filho. Um dia, quando estava fugindo dos garotos que faziam bullying com ele, um homem (Juan) o resgata e o torna seu amigo, como se fosse um pai. E daí surge uma linda amizade, em que ocorre cenas lindíssimas, que deu ao Mahershala Ali a indicação ao Oscar. A fotografia está maravilhosa, além do filme merecer os prêmios principais do Oscar, merece também esse prêmio técnico. 

Um filme delicado, mas ao mesmo tempo forte, que fala da vida dura de um jovem negro numa comunidade pobre, e de como a vida é mais difícil para quem nasceu nessas condições. E mostra mais uma vez que a meritocracia é uma farsa. Não dá para comparar alguém que viveu nessas condições com alguém que nasceu em um berço de ouro. 
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