22 fevereiro 2017

Americanah de Chimamanda Ngozi Adichie

Sinopse: Lagos, anos 1990. Enquanto Ifemelu e Obinze vivem o idílio do primeiro amor, a Nigéria enfrenta tempos sombrios sob um governo militar. Em busca de alternativas às universidades nacionais, paralisadas por sucessivas greves, a jovem Ifemelu muda-se para os Estados Unidos. Ao mesmo tempo que se destaca no meio acadêmico, ela se depara pela primeira vez com a questão racial e com as agruras da vida de imigrante, mulher e negra. Quinze anos mais tarde, Ifemelu é uma blogueira aclamada nos Estados Unidos, mas o tempo e o sucesso não atenuaram o apego à sua terra natal, tampouco anularam sua ligação com Obinze. Quando ela volta para a Nigéria, terá de encontrar seu lugar num país muito diferente do que deixou e na vida de seu companheiro de adolescência. Chimamanda Ngozi Adichie parte de uma história de amor para debater questões prementes e universais como imigração, preconceito racial e desigualdade de gênero.

Vou confessar que eu conheci a Chimamanda através da música Flawless da Beyoncé, e agradeço a Queen Bee por ter me apresentado essa escritora incrível. Desde daí vi uns pedaços  da palestra dela no TED, e fiquei doida para ler um livro dela. É um livro que tem uma escrita fácil e é muito bem escrito e articulado. Ele flui muito bem. A Chimamanda é uma escritora renomada e uma feminista conhecida, então esse livro obviamente vai falar de questões de gênero, no caso da mulher negra. 

O que é ser mulher, negra e imigrante nos Estados Unidos? Bom, não é nada fácil. Ifemelu fala que antes de ir para os EUA ela não sabia que era negra, ela percebe que é negra nos Estados Unidos. Porque lá ela sofre preconceito pela sua cor, lá ela é tratada diferente só por ser negra. É um livro forte, pois somos obrigados a lidar com questões pesadas como racismo, machismo, preconceito (de várias formas). Ela se depara com o racismo, com o preconceito contra imigrantes e com o machismo logo de cara quando ela tenta conseguir um emprego. Ela percebe que até mesmo os amigos imigrantes dela conseguiram emprego, mas por que ela não? Porque ela é uma mulher  negra imigrante.




Há uma história de amor entre Ifemelu e Obinze, mas que fica em segundo plano, pois o foco central do livro é a história de Ifemelu. O livro divide a narração em terceira pessoa contando o ponto de vista entre Ifemelu e Obinze, mas dando prioridade ao ponto de vista de Ifemelu. Ifemelu ficou muito triste por ter que deixar esse amor na Nigéria, ela ainda mantém contato com ele, mas depois de um acontecimento marcante nos Estados Unidos, ela para de falar com ele, mas nunca esquecerá seu primeiro amor. 

Como o livro é recente (é de 2014) ele fala sobre as eleições de Barack Obama e sobre como essa representatividade foi essencial para os negros. No livro, Ifemelu checava constantemente se Obama estava vivo pois tinha medo que algum extremista tivesse o matado. E é assim que os negros vivem, com medo. E isso tem que acabar, é inaceitável que em pleno século XXI alguém tenha que viver assim simplesmente por causa da sua cor ou por qualquer outra razão.

Esse livro é essencial para entender como é ser mulher negra. Eu, como mulher branca, aprendi muito com esse livro, e acho que me mudou muito. Apesar de não me considerar preconceituosa e tentar ao máximo ser uma pessoa melhor, infelizmente o racismo está enraizado na nossa sociedade. Eu puder ver como é ser uma mulher negra, claro que nunca vou poder saber realmente como é ser uma mulher negra, isso só ela sabe, mas pude ter uma ideia, e agora posso compreende-la melhor. E eu acho que essa foi a ideia do livro, disseminar como é ser uma mulher negra, dar voz a essa mulher que é tão relegada a segundo plano.

13 fevereiro 2017

Resenha: Estrelas além do tempo

O filme conta a história de três mulheres negras que trabalhavam na NASA em 1961, em plena guerra fria, com a corrida espacial contra os russos a todo vapor. Naquela época havia também uma forte segregação racial nos Estados Unidos. As três mulheres, Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe) que eram grandes amigas, tem que enfrentar vários obstáculos no trabalho e no dia a dia.
É um filme que conta uma história, até então esquecida, e dá visibilidade para essas mulheres que fizeram tanto pelo país. Na época em que elas trabalhavam na NASA, ocorria a segregação racial nos Estados Unidos, onde os banheiros dos negros e brancos eram separados, por exemplo. A personagem Katherine tinha que andar uma longa distância para ir ao banheiro, e perdia tempo do trabalho, pois o banheiro designado para sua cor ficava longe. Seu chefe, então, decide acabar com essa política e diz que na NASA não tem cor.

Um longa-metragem que mostra o quanto essa política de segregação é ruim e que não há diferença entre entre negros e brancos. Todos tem capacidades, só basta dar oportunidade. Podemos ver no filme que negros e brancos não tem oportunidades iguais, as mulheres têm que lutar três vezes mais por serem negras e por serem mulheres. Elas tem suas capacidades duvidadas por puro preconceito. Se até hoje os negros e as mulheres sofrem preconceito, imaginem naquela época.
Esse filme merece todos os prêmios possíveis, pois é um filme que serve para abrir os olhos e mostrar as injustiças que cercavam mulheres negras. É preciso entender também que essas injustiças, infelizmente, ainda não acabaram. Acho que a Taraji P. Henson e a Janelle Monáe mereciam indicações ao Oscar também (só a Octavia Spencer foi indicada), mas seria difícil o Oscar fazer isso, afinal, ano passado o Oscar não indicou nenhum negro em nenhuma categoria.
Um filme necessário e que deve ser visto por todos para que se aprenda com os erros do passado para que estes não se repitam. E para que se veja que foi (e ainda é) difícil ser mulher e/ou negra nesse mundo.

05 fevereiro 2017

Resenha: 3%

A série 3% é sobre um Brasil no futuro, em que o país é um lugar devastado onde falta comida, água e outras coisas básicas para viver. Aos 20 anos de idade, todo cidadão recebe a chance de poder entrar no processo, onde ele é admitido e se passar lá ele vai para o Mar Alto, um lugar onde não há coisas ruins, como injustiça, pobreza, etc. No processo de seleção eles passam por provas físicas, psicológicas e morais. No entanto, somente 3% dos inscritos são selecionados para ir para o Mar Alto. Mas, não pense que não há pessoas descontentes com esse tipo de vida, há os integrantes da Causa, que é um grupo rebelde que luta para acabar com o processo e derrubar o governo.
É uma série distópica, ou seja, se passa num futuro hipotético em um governo ditatorial (contrário de utopia onde tudo é lindo e maravilhoso). Enquanto eu via a série eu me peguei pensando que aquilo poderia, sim, ser o futuro do Brasil daqui há alguns anos. Já falta comida, água e outras coisas básicas para muita gente no país, o que falta é alguém ter a ideia de montar um processo cruel feito esse. Há muitas críticas sociais nessa série, uma delas é a crítica a tão falada meritocracia. Será que ela existe num país tão desigual feito o nosso? A resposta é não.

Há um personagem, Marco, que ele é a síntese da meritocracia. Todos da sua família foram para o Mar Alto, e por isso, ele se sente na obrigação de ir também. Ele sente que ele é melhor do que todos na competição. E há um detalhe na cena que passa na casa dele que me chamou atenção: ele tem empregada. A maioria da população do Continente (lugar onde vivem o resto da população) são bem pobres. E ele tem empregada. Ele é uma minoria. E por causa disso ele se acha superior. Bem brasileira essa série, né?
Há também outro personagem, o Rafael, desde o começo ele toma atitudes duvidosas, como trapacear na prova e ser preconceituoso com o colega cadeirante, o Fernando. (SPOILER) Ao decorrer da série, descobrimos que Rafael faz parte da Causa (FIM DO SPOILER) e aí vemos a hipocrisia do personagem. Ele luta para um mundo melhor, mas trata o colega deficiente de forma preconceituosa, bem incoerente, não é? E isso acontece muito na nossa vida. Infelizmente é normal ver gente com um discurso de paz, igualdade, amor e fraternidade, mas no dia a dia é um ser humano desprezível que se acha superior aos outros e trata o coleguinha que é diferente de forma cruel.
É uma série que me fez refletir bastante, principalmente na situação atual do país. Teve muita crítica negativa aqui no Brasil, mas acho que isso deve muito ao fato da série ser brasileira e da síndrome de vira-lata. Se fosse uma série estrangeira estaria todo mundo aplaudindo.
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