05 fevereiro 2017

Resenha: 3%

A série 3% é sobre um Brasil no futuro, em que o país é um lugar devastado onde falta comida, água e outras coisas básicas para viver. Aos 20 anos de idade, todo cidadão recebe a chance de poder entrar no processo, onde ele é admitido e se passar lá ele vai para o Mar Alto, um lugar onde não há coisas ruins, como injustiça, pobreza, etc. No processo de seleção eles passam por provas físicas, psicológicas e morais. No entanto, somente 3% dos inscritos são selecionados para ir para o Mar Alto. Mas, não pense que não há pessoas descontentes com esse tipo de vida, há os integrantes da Causa, que é um grupo rebelde que luta para acabar com o processo e derrubar o governo.
É uma série distópica, ou seja, se passa num futuro hipotético em um governo ditatorial (contrário de utopia onde tudo é lindo e maravilhoso). Enquanto eu via a série eu me peguei pensando que aquilo poderia, sim, ser o futuro do Brasil daqui há alguns anos. Já falta comida, água e outras coisas básicas para muita gente no país, o que falta é alguém ter a ideia de montar um processo cruel feito esse. Há muitas críticas sociais nessa série, uma delas é a crítica a tão falada meritocracia. Será que ela existe num país tão desigual feito o nosso? A resposta é não.

Há um personagem, Marco, que ele é a síntese da meritocracia. Todos da sua família foram para o Mar Alto, e por isso, ele se sente na obrigação de ir também. Ele sente que ele é melhor do que todos na competição. E há um detalhe na cena que passa na casa dele que me chamou atenção: ele tem empregada. A maioria da população do Continente (lugar onde vivem o resto da população) são bem pobres. E ele tem empregada. Ele é uma minoria. E por causa disso ele se acha superior. Bem brasileira essa série, né?
Há também outro personagem, o Rafael, desde o começo ele toma atitudes duvidosas, como trapacear na prova e ser preconceituoso com o colega cadeirante, o Fernando. (SPOILER) Ao decorrer da série, descobrimos que Rafael faz parte da Causa (FIM DO SPOILER) e aí vemos a hipocrisia do personagem. Ele luta para um mundo melhor, mas trata o colega deficiente de forma preconceituosa, bem incoerente, não é? E isso acontece muito na nossa vida. Infelizmente é normal ver gente com um discurso de paz, igualdade, amor e fraternidade, mas no dia a dia é um ser humano desprezível que se acha superior aos outros e trata o coleguinha que é diferente de forma cruel.
É uma série que me fez refletir bastante, principalmente na situação atual do país. Teve muita crítica negativa aqui no Brasil, mas acho que isso deve muito ao fato da série ser brasileira e da síndrome de vira-lata. Se fosse uma série estrangeira estaria todo mundo aplaudindo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

© Pequenos Devaneios - 2016 | Todos os direitos reservados.
Desenvolvimento por: Renata Massa | Tecnologia do Blogger.
imagem-logo