19 outubro 2018

Um relacionamento abusivo entre pai e filha



Primeiramente gostaria de parabenizar a TAG Inéditos pelo lindo livro, a edição está linda e a escolha do livro foi certeira, um livro que me tocou muito, afinal, eu gosto muito de livros com temas psicológicos, e para mim esse livro é antes de tudo, um drama psicológico, pois entramos na mente de alguém que foi abusada a infância inteira.

Para quem não conhece a TAG é um clube do livro virtual, onde todo mês vem um livro. Existe o TAG curadoria que vem com um brinde e o livro é em capa dura e o TAG inéditos que o livro é inédito no Brasil, como diz o nome. Eu assino os dois e sou apaixonada.

Sinopse: Helena tem um segredo: ela é o fruto de um sequestro. Sua mãe foi raptada quando ainda era adolescente e mantida em uma casa escondida no pântano de Michigan. Nascida dois anos depois do sequestro, Helena aprendeu a amar sua infância fora do comum - e aprendeu, até mesmo, a amar seu pai, um homem selvagem e brutal. Quando ele escapa da prisão, ela precisa encarar o passado que ocultou tão habilmente do marido e das filhas. Em uma caçada de tirar o fôlego, ela faz de tudo para encontrar seu pai enquanto reexamina os episódios da infância que moldaram seu futuro.

No começo, eu confesso que tive raiva da Helena. Impossível não sentir nem um pouquinho de raiva quando ela defendia o perverso pai e culpava a coitada da mãe, que era uma pobre vítima. Porém, com o tempo, vi que é assim que um relacionamento abusivo funciona: ele altera a realidade e faz você acreditar que o algoz é na verdade uma pessoa boa. Uma pessoa abusiva é antes de tudo um manipulador, ele manipula a pessoa, mas também a realidade a seu favor. Uma pessoa que está sendo abusada acaba acreditando que o abusador é uma pessoa boa, apesar de tudo.

No livro, apesar do pai de Helena trancar ela num poço quando ela não faz o que ele quer, bater na sua mãe, castigá-la fisicamente e tantas outras coisas, ele também tem momentos de "afeto" com a filha, o que acaba confundindo sua mente e a faz pensar que ele afinal, não é uma pessoa ruim e que ele trata sua mãe tão mal é porque ela merece. Afinal, como ele pode ser uma pessoa perversa se ele já fez coisas boas por ela? E afinal, ele é seu pai.

Outro ponto bastante interessante do livro, é que não trata de um relacionamento abusivo de um casal, que é o mais falado, mas sim de um relacionamento abusivo entre pai e filha, que pode sim acontecer. O que torna mais cruel, visto que esperamos de nossos pais amparo e carinho.

Helena precisou de anos para reconhecer que o pai dela era um homem ruim e sádico. Ela tenta a todo custo tentar entender porque ele é assim. Culpa os pais dele, a criação que teve e diz que ele só teria uma família se tivesse agido como agiu. Só no fim do livro ela culpa o próprio pai pela suas ações e vê que ele era, sim, uma pessoa desprezível.

Outra coisa que achei bastante interessante no livro é que Helena e a mãe lidaram de formas diferentes com o trauma. Enquanto a mãe ficou bastante depressiva e reclusa depois que saiu, Helena seguiu sua vida, casou e teve filhas. O que mostra que cada pessoa lida de formas diferentes com determinadas situações.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

© Pequenos Devaneios - 2016 | Todos os direitos reservados.
Desenvolvimento por: Renata Massa | Tecnologia do Blogger.
imagem-logo